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As diferenças entre exclusão, segregação, integração e inclusão

Por 19 de agosto de 2020maio 2nd, 2022Para negócios, Diversidade e inclusão8 min de leitura

No mundo corporativo existe um movimento crescente e positivo para reconhecer e valorizar todas as diversidades. No entanto, apenas abrir portas não é o suficiente nesse contexto. É necessário entender todos os níveis de inclusão e perceber quais ações devem ser tomadas com o objetivo de garantir ambientes que realmente proporcionam oportunidades justas. Nessa Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla nós precisamos chamar a sua atenção para as diferenças entre exclusão, segregação, integração e inclusão.


É fato que todos somos diferentes. A diferença é o que, de certa forma, nos humaniza. Percebê-la como valor é um processo que se estabelece em todas as esferas da vida e que legitimamos individual e socialmente. Essa ideia já está estabelecida desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos, apontando que o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo é o reconhecimento da dignidade inerente a todos.

No mundo corporativo existe um movimento crescente e positivo para reconhecer e valorizar todas as diferenças. No entanto, apenas abrir portas ainda não é o suficiente. É necessário entender todos os níveis de inclusão e perceber que ações devem ser tomadas com o objetivo de garantir ambientes que realmente proporcionam oportunidades justas.

Educação inclusiva

Para falar de inclusão precisamos destacar que a origem dessa discussão surgiu dentro do segmento de educação. A UNICEF fornece esta descrição para nos ajudar:

A educação inclusiva implica oferecer oportunidades significativas de aprendizado a todos os alunos do sistema escolar regular. Ela permite que crianças com e sem deficiência frequentem as mesmas aulas apropriadas para a idade na escola local, com apoio adicional personalizado.

Nesse cenário, as pessoas com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades/superdotação têm sido os principais focos da área porque foram historicamente privadas de participação, tanto nas redes de ensino quanto nas empresas. Principalmente por estarem associadas a um estigma de “anormalidade”, o processo discriminatório e a exclusão são acentuados.

Segundo a Inclusion International, é importante reforçar que a educação inclusiva diz respeito a todas as pessoas, sem exceção. Ou seja, todos os alunos, com ou sem deficiência, têm direito ao acesso (matrícula e presença), à participação em todas as atividades da escola e à aprendizagem, com equiparação de oportunidades para o pleno desenvolvimento de seu potencial.

Diante desse contexto, devemos ampliar o debate e questionar sobre como se dão esses elementos no que diz respeito ao mercado de trabalho. Como criar ambientes corporativos cada vez mais inclusivos? Quais obstáculos dificultam esse processo? 

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Quais são as diferenças entre exclusão, segregação, integração e inclusão?

Exclusão

Na fase da exclusão nenhuma atenção é provida aos grupos minorizados (por conta de sua raça, gênero, deficiência ou qualquer outra condição tida como diferente). Historicamente, classes sociais simplesmente ignoravam, rejeitavam, perseguiam e até exploravam essas pessoas.

A exclusão no mercado de trabalho ocorre quando o acesso à empregabilidade é negado e, por isso, as minorias não têm possibilidade de se candidatar a uma vaga. Em grande parte dos casos, organizações trazem em seu posicionamento uma certa dificuldade em infraestrutura ou cultura para acolher a diversidade. 

Eu até queria um time mais diverso, mas é difícil achar pessoas com deficiência com experiência em gestão.

Você provavelmente já ouviu frases como essa, mas elas não podem se tornar argumento para a exclusão. Pessoas talentosas estão em todos os lugares e fazem parte de todos os grupos. Mas, quando o assunto é inclusão, a busca precisa ser intencional.

Segregação

No nível de segregação as pessoas são distanciadas da sociedade e da família, geralmente atendidas em instituições específicas por motivos religiosos ou filantrópicos, e têm pouco ou nenhum controle sobre a qualidade da atenção recebida.

Surgiram ao longo do tempo escolas especiais, assim como centro de reabilitação e oficinas protegidas de trabalho, pois grupos de domínio começaram a admitir que as minorias poderiam ser produtivas se recebessem escolarização e treinamento específico.

A segregação ocorre no mundo corporativo quando alguns colaboradores trabalham em ambientes separados ou simplesmente não possuem o mesmo acesso e direitos que os demais membros da empresa. Essa separação também fica nítida quando pessoas diversas não são promovidas ou contratadas para cargos de liderança, deixando evidente essa divisão nos níveis superiores.

Integração

Quando a pessoa com deficiência começou a ter acesso à classe regular, desde que se adaptasse e não causasse nenhum transtorno ao contexto escolar, começamos a presenciar a fase de integração na linha do tempo da educação inclusiva.

A integração nas organizações envolve inserir times diversos em quase todas as áreas, mas sem alterar a estrutura e/ou cultura da empresa. Ou seja, uma mulher pode fazer parte de um setor majoritariamente masculino, mas é ela que deve se adaptar ao ambiente, e não o contrário.

Muitas pessoas chamam isso erroneamente de inclusão, mas, a menos que o(a) funcionário(a) receba todo o apoio necessário, isso é apenas integração. Ao abraçar as diferenças é importante repensar não só o processo de gestão de pessoas como também os sistemas estruturais que podem impedir oportunidades de capacitação das equipes.

Inclusão

Com o avanço da sociedade a luta pela inclusão social e pelo respeito à diversidade se fortalece e faz crescer, em todo o mundo, a busca por um mundo que possa atender a todos, sem rótulos e sem classificações discriminatórias.

O princípio fundamental de empresas inclusivas consiste em todos os colaboradores trabalharem e se desenvolverem juntos, sempre que possível, independentemente das dificuldades e das diferenças que apresentem.

Essa inclusão envolve uma transformação organizacional com mudanças e modificações de modelos de trabalho, rituais de gestão, estruturas físicas e até mesmo de estratégias. Não é o membro que deve se adaptar à empresa, são as instituições que devem modelar-se para atender à demanda da diversidade humana.

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Acessibilidade vai além de construir rampas

A acessibilidade significa garantir que todas as pessoas tenham acesso a espaços, informações e comunicações disponíveis ou fornecidas aos demais. Já acomodação, um conceito similar, significa fazer ajustes, apenas quando necessário, para garantir que todos possam usufruir e exercer os seus direitos.

Quais são os contextos relacionados à acessibilidade?

  • Acessibilidade arquitetônica: eliminação de barreiras ambientais físicas nas residências, nos edifícios, nos espaços e equipamentos urbanos, e nos meios de transporte individuais ou coletivos;
  • Acessibilidade comunicacional: eliminação de barreiras na comunicação interpessoal (oral, língua de sinais), escrita (jornal, revista, livro, carta, apostila e outras, incluindo textos em braille e o uso de computador portátil) e virtual (acessibilidade digital);
  • Acessibilidade metodológica: eliminação de barreiras nos métodos e técnicas de estudos, de trabalho (profissional), de ação comunitária (social, cultural, artística e outras) e de educação familiar;
  • Acessibilidade instrumental: eliminação de barreiras para o acesso e manuseio de instrumentos, utensílios e ferramentas de estudos, de trabalho (profissional), de lazer e recreação (comunitária, turística, esportiva e outras);
  • Acessibilidade programática: eliminação de barreiras “invisíveis” embutidas em políticas públicas (leis, decretos, portarias e outras), normas e regulamentos (institucionais, empresariais e outras);
  • Acessibilidade atitudinal: eliminação de vieses inconscientes, estigmas, estereótipos e discriminações nas pessoas em geral.

Como contribuir para a inclusão no mercado de trabalho?

Os passos para a implementação de empresas inclusivas podem ser diferentes, dependendo do segmento de mercado, modelo de negócios, localização geográfica ou outros aspectos, e também podem ocorrer em uma ordem diferente. Nem todas as etapas abaixo são necessárias, mas são algumas das medidas mais comuns são:

  1. Eliminar leis, políticas ou práticas que excluem pessoas por alguma característica particular. Isso significa que as empresas não podem negar acessos e existem conseqüências ou responsabilidades claras caso o façam;
  2. Garantir que uma mesma área seja responsável por gerenciar e capacitar todos os colaboradores. Grupos de afinidade são muito importantes para fortalecer todas as identidades, mas devem ser cuidados como unidade para que haja uma visão sistêmica;
  3. Realocar ou redistribuir recursos para fortalecer o sistema de inclusão;
  4. Conscientizar e treinar os funcionários para responder à diversidade. Isso significa adotar novas práticas de convivência e colaboração, além de promover o respeito pela diversidade e uma cultura de inclusão;
  5. Criar condições de trabalho com segurança psicológica para um pleno desenvolvimento e ascensão profissional;
  6. Envolver a comunidade para ganhar parceiros e aliados na implementação dessas medidas.

Por mais que tenhamos as melhores intenções, é muito comum diariamente usarmos expressões e perguntas que são insensíveis com minorias. Pode parecer simples, mas tomar esse cuidado na comunicação demonstra grande carinho e intenção de ajudar. Pensando nisso, elaboramos esse e-book com dicas práticas para um ambiente de trabalho mais inclusivo, confira clicando aqui 😉 

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Victor Feitosa

Comunicólogo cearense que atua com programas de desenvolvimento pessoal. Um estudioso e apaixonado por educação, liderança e diversidade. Acredita que esses três pilares podem mudar o mundo se tivermos as pessoas certas nos lugares certos. No mais, adora filmes de terror, séries intrigantes e música pop.

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