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Para aumentar os níveis de empregabilidade de impacto é preciso entender como as questões sociais afetam o desenvolvimento das pessoas.


Para começar a abordar a temática, desvendamos aqui a primeira questão: você sabe o que é empregabilidade de impacto? 

Um estudo da Deloitte, apoiado pela Rockfeller Foundation e GIIN, define empregos de impacto como um modelo de contratação e recursos humanos que emprega intencionalmente as pessoas vulneráveis e desfavorecidas. Esta ação tem o objetivo de gerar um impacto positivo sobre os colaboradores, suas famílias e, eventualmente, um impacto mais amplo dentro da comunidade. A definição desses grupos pode ser feita com base no status econômico ou social – como baixa renda, minorias ou condições de saúde específicas.

Assim, ao contratar essas pessoas e criar programas especiais de aprendizagem, desenvolvimento e crescimento, as empresas geram ainda mais efeito social do que quando somente realizam doações ou atos de caridade. Afinal, engajar esses colaboradores em um propósito maior acarreta em oportunidades de desenvolverem habilidades transferíveis e pode ser o pontapé inicial para uma carreira bem sucedida dentro do universo corporativo.

Um bom exemplo disso é a Krochet Kids que desenvolveu um programa para empoderar mulheres no norte da Uganda e Peru, com o objetivo de que saiam da pobreza e possam sustentar melhor suas famílias. Antes dessas mulheres se formarem no programa, são oferecidos empregos, educação e orientação. A educação é fornecida para que essas pessoas possam continuar suas carreiras de forma individual e independente, e a orientação é dada para ajudá-las a construir uma carreira sustentável a longo prazo. Ao longo de todo o processo, a Krochet Kids acompanha o desenvolvimento pessoal de cada mulher.

Esse modelo de capacitação garante que as mulheres que se formaram no programa tenham as ferramentas que precisam para serem autossuficientes e construírem um futuro melhor para si mesmas e suas famílias.

“A verdadeira medida do impacto social não é quão bem você pode cuidar de alguém em sua presença, mas o quão bem se desenvolvem em sua ausência.” – KROCHET KIDS INTL.

Educação e empregabilidade andam lado a lado

Segundo o IBGE, a taxa de desemprego de 2021 ficou assim:

  • 14,1% no total, atingindo 14,4 milhões de pessoas;
  • entre as pessoas de 25 a 39 anos, a parcela de desemprego chegou a 34,6%;
  • entre as juventudes de 18 a 24 anos, a taxa chegou a 31%, representando 29% do total das pessoas sem emprego;
  • entre as pessoas com idades de 14 a 17 anos, a taxa chegou a 46,3%, maior percentual da série histórica.

O desemprego prevaleceu em grande parte das regiões com maior vulnerabilidade social e menor índice de educação.

É importante frisar que quando não há iguais oportunidades de educação, não é possível competir de forma justa por empregos promissores. Afinal, a trajetória profissional das pessoas e o desenvolvimento das hard skills é composto por momentos que vão desde a educação infantil, até a educação básica, superior, cursos, ou outros formatos de qualificação profissional.

Mas, como nem todo mundo tem acesso a esses recursos ou a uma formação de qualidade, é preciso compreender a influência desses aspectos na empregabilidade, evidenciando as barreiras existentes e identificando as necessidades reais dessas pessoas.

Há uma enorme quantidade de talentos ainda não potencializados no mercado de trabalho que poderiam se tornar profissionais muito bem qualificados, com alto índice de criatividade e habilidade na resolução de conflitos.

Empresas que investem em programas de inclusão e desenvolvem estratégias para o crescimento profissional de minorias ou de pessoas em situação de vulnerabilidade fazem parte das empresas do futuro, pois estão alinhadas com as tendências comportamentais de um mercado mais humano e inclusivo, adotando práticas ESG (environmental, social and corporate governance, ou traduzindo para melhores práticas ambientais, sociais e de governança corporativa).

As novas gerações e as ações ESG

Os princípios ESG incluem a adoção de ações que promovam sustentabilidade, bem-estar social e boas práticas nos fatores de governança da empresa.  

Essa temática tem aparecido em diversas discussões globais e, nos últimos anos, cada vez mais investidores têm incluído o conceito de “investimentos responsáveis” em suas tomadas de decisão para destinação de recursos. Além disso, os consumidores também apontam grande interesse em consumir de empresas que se demonstrem ecologicamente e socialmente responsáveis, indo além do discurso. 

Segundo a Forbes, a Gen Z, maior geração de consumidores do mundo, aponta forte vinculação de suas escolhas de compra aos valores pessoais. Essa tendência de associação ficou ainda mais forte em um cenário pós-pandêmico, quando principalmente a geração Z e millennials demonstram cada vez mais preocupação com as práticas de ações ESG. 

O efeito do ESG acarreta diretamente no bem-estar social das pessoas, da empresa e da comunidade. Ao avaliar o estágio de uma empresa em suas ações ESG, alguns fatores importantes são considerados dentro das 3 letras da sigla:

#1 melhores práticas ambientais:

Em quesitos ambientais, são analisadas questões como: diminuição de emissões de gases, poluição, gestão de resíduos e impacto geral das ações da empresa no meio ambiente.

#2 melhores práticas sociais:

Já nos fatores sociais, avalia-se como a companhia lida com direitos humanos, inclusão social, diversidade, ações comunitárias de alto impacto, empregabilidade, engajamento dos funcionários, políticas públicas e trabalhistas.

#3 melhores prática de governança corporativa:

Os fatores de governança são avaliados nos quesitos de ética e transparência, políticas administrativas, diversidade na composição da administração e comportamento da estrutura dos comitês.

Na temática deste artigo, os principais fatores ESG que influenciam na empregabilidade estão relacionados aos dados sociais e de governança corporativa.

Incluir para construir

Em uma realidade de desigualdade, as boas qualificações esbarram nos quesitos financeiros, pois a maioria das famílias não têm renda que acoberte as melhores oportunidades de educação.

Além disso, muitas pessoas crescem em situações de alto risco, seja em miséria, fome, violência ou em ambientes que não possibilitam oportunidades seguras de desenvolvimento, o que acaba interferindo diretamente no futuro profissional das pessoas. Neste ponto, é preciso que os profissionais de RH se atentem a evitar os vieses inconscientes, se concentrando em uma ideia mais justa de seleção.

A avaliação de competências também pode ser uma das principais barreiras das juventudes para conseguirem o primeiro emprego, sendo também a principal causa de demissões. Portanto, durante o processo de empregabilidade de impacto, é preciso que as lideranças se atentem em realizar análises empáticas sobre o desempenho dos profissionais.

Trabalhar a diversidade e gerar programas inclusivos para minorias ou pessoas em situação de vulnerabilidade é cooperar para a reparação de injustiças, contribuindo para um futuro com maior equidade e inclusão.

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Carolina Abreu

Redatora e ilustradora, graduada em Comunicação, faço parte do time de conteúdo da Eureca. Minha missão por aqui é escrever artigos que apontem soluções criativas e inclusivas para o ambiente corporativo, visando a construção de um futuro com maior nível de equidade e sustentabilidade.

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