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Uma reflexão sobre ansiedade em tempos de #fiqueemcasa

Por 2 de abril de 2020abril 13th, 2020Para talentos8 min de leitura
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Você consegue parar, agora, de fazer o que for que esteja fazendo (inclusive de ler este texto)?

Tá, ficou fácil demais… vamos lá: você consegue parar e genuinamente não se preocupar com tudo o que você tem pra fazer, nem se culpar por ter parado?

Se você respondeu mentalmente que “sim” logo de cara, confesso que duvido um pouco de você. 

Este texto é uma reflexão sobre o por quê de, mesmo eu confiando em você como pessoa, desconfio de que você consiga desligar nem que seja por apenas um minuto.

E é pra quem tá sentindo o sufoco da valorização desmedida à produtividade e à obsessão de se manter no escritório ou na faculdade, mesmo que em casa. Vamos propor também algumas provocações para você exercitar o autocuidado que é tão necessário nestes momentos.

Eu ainda não li “Sociedade do Cansaço”, de Byung-chul Han, mas acredito que já o entendi um pouco só por viver e me afogar neste mar de produtividade e oportunidades que se tornou a quarentena forçada pela pandemia do Coronavírus.

Toda hora tem uma live diferente. Todo dia tem um artista fazendo show online, um curso novo da universidade de sei-lá-onde que ficou gratuito pra me incentivar a ficar em casa e melhorar meu currículo, tem um treino novo de uma academia de uma cidade que eu provavelmente nunca vou visitar pra me ajudar a emagrecer (porque alguma coisa me convenceu de que meu corpo precisa ficar mais assim ou assado), tem todos os livros na minha estante que eu posso ler com esse “presente” e “tempo livre” que eu tenho agora que só posso ficar em casa.

E eu tenho a obrigação de movimentar a economia, de garantir que eu pague a montanha de contas que não vão deixar de chegar à minha porta por conta da quarentena, de comprar mais pra favorecer o comércio local e o global, de conseguir um trampo ou uma promoção, de ser melhor, porque aparentemente eu ainda não sou a minha melhor versão e, quanto mais eu tento chegar nessa versão, mais longe dela eu fico…

Me conta: como tá a tua ansiedade nestes dias? Já tiveste algum ataque de pânico associado a não ter tido tempo de fazer o treino de hoje, de não entregar a planilha a qual te esperavam, de se contagiar e morrer e matar alguém que você ama e tá na zona de risco?

E eu te conto: se você não parar, não vai nem dar tempo do coronavírus chegar até você. 

Isso não é pra te dar medo, mas sim pra te dar a coragem que vem com o medo (afinal, presença dela não significa a ausência dele).

É pra te dar coragem de parar. Sem se culpar. Sem se doer e remoer por dentro. E não sei se vai ser possível, mas te convido a tentar.

Em uma sociedade altamente motivacional, onde os padrões da perfeição são tão fluidos para geral quanto estáticos para cada indivíduo, a única certeza que temos é que a nossa vida nunca vai estar boa o bastante.

Seu currículo ainda pode melhorar, você pode acordar mais cedo e ir dormir mais tarde pra fazer mais coisas, você pode combinar ligações virtuais com todo o seu círculo social e fazer todas as coisas que estão na sua listinha do dia perfeito. 

Mas talvez o dia perfeito esteja na outra extremidade dessa corda bamba, lá na probabilidade de você deixar tudo de lado e só passar um tempinho consigo.

… 

Alguns exercícios pra você conseguir voltar a superfície deste mar de ansiedade…

1 – Sabia que parar é um direito seu?

O que eu ainda não entendi é que eu posso (e preciso) dedicar tempo a fazer nada no meio de toda essa turbulência. Eu dependo de parar um pouco ou muito, até que eu me sinta bem pra voltar.

Claro que eu não posso ficar parado o tempo todo, afinal tenho minhas ambições e minhas contas também. 

Mas da mesma forma que “saco vazio não para em pé” – dica da minha vó pra comer um pouco antes de me exercitar ou trabalhar -, “saco muito cheio transborda ou rasga”, e de nada serve você jogar mais conteúdos em um recipiente rasgado. Você só vai perder… seja tempo, paciência ou até a vontade de fazer as coisas mais legais.

Acredito também que todo mundo possa parar um pouco, nas suas próprias condições e limitações, em respeito a si mesmo. 

É por isso que eu não confiava que você conseguiria parar. Mas talvez, agora, consiga, e por isso eu confio em você como pessoa. 

2 – Pare, mas pare certo.

Afinal, fica a questão: consumir notícias de jornais, telejornais ou redes sociais? A resposta é: de nenhum. 

Exercite excluir os apps e tirar os sites de notícias e redes sociais dos seus favoritos do navegador. Saia um pouco do mundo real e vá pro seu próprio mundo.

Quanto mais distante de distrações, mais perto de si você estará. E quem sabe não é perto de si que você precisa estar pra encontrar o que você verdadeiramente gosta de fazer?

Domenico de Masi chamou isso de Ócio Criativo: a perfeita interseção entre trabalho, lazer e descanso. Atividades que podem ser consideradas produtivas, mas te trazem alegria de fazer. 

Sabe aquela professora que te deu as melhores aulas da vida e você nunca entendeu o por quê dela continuar dando aulas ao invés de ir usar a inteligência em alguma empresa ou causa fora da sala de aula? Ela tá no Ócio Criativo. Ela escolhe dar aula porque ela gera valor para os alunos, inclusive pra você. 

Obviamente ela precisa descansar, mas ela não se estressa ao dar aula, porque ama fazer isso.

Tire o seu tempo para si para se redescobrir. Acredito que a gente sempre tem muito a descobrir em si mesmo e que sempre vale a pena se explorar. 

Para isso, você precisa parar certo.

3 – Não se culpe por querer parar

Na sociedade da alta performance, ficar um segundo sem ambição é como aceitar o fracasso.

É receber julgamentos de todos os lados e, no maior ato de autoviolência, se julgar também.

Afinal…

  • o que faz seu corpo não ser perfeito?
  • o que faz seu peso não ser ideal?
  • o que faz suas notas não serem boas o suficiente?
  • o que faz seus hábitos serem inadequados?
  • o que faz seu estilo ser esquisito?
  • o que faz você ser inconveniente?

 

A respostas para todas essas perguntas têm uma coisa importante em comum: elas são todas mentiras.

Quanto mais você se cobra, menos você é suficiente para si mesma(o). 

Sempre dá pra cortar o cabelo de outro jeito, ou perder ou ganhar mais um quilo, ou deixar de usar aquela roupa que te faz sentir-se bem.

A gente é julgado pelas partes mais próximas do centro do nosso círculo social. 

E não é sobre sentir raiva das pessoas que te julgam. É sobre fazer as pazes, pois cada vez que uma pessoa te julga, ela tá te mostrando partes dela que ela mesma não aceita. E o que você precisa dar é uma coisa simples: amor. 

Aceite-se e aceite o próximo como você e ele são. 

Enfim, espero que você demore pra chegar aqui na conclusão. Espero que nem chegue. 

Espero que entenda que as três dicas dadas são só um “como”, mas que o que eu realmente te incentivo a fazer é ler cada vez mais que te ensinam a pensar, a desaprender. 

Em um mundo de certezas, a sabedoria está em quem faz mais perguntas e não quem mais as responde.

Um abraço com carinho. Eu te reconheço, eu te valorizo, eu confio em você. 

E eu estou disponível pra te conhecer melhor, pra que você entenda que essas palavras não são vazias. Este não é só um texto de autoajuda. É tudo o que eu tenho a te oferecer.

De novo, um abraço com carinho.


Esse artigo foi produzido baseado em uma pesquisa realizada pela Eureca a fim de ouvir as juventudes sobre como estão se sentindo em contexto de covid-19. Muitas delas tiveram suas aulas, estágios e processos de seleção cancelados ou adiados e, por isso, a ansiedade que já é algo naturalmente forte nessa geração, acaba ficando ainda mais latente. Se você quiser saber mais sobre a pesquisa, o que os jovens esperam das empresas e da Eureca, só clicar aqui.


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Mafê

Jornalista mineirinha, mais conhecida como Mafê do time Eureca, é responsável por tudo de conteúdo que você, jovem, vê nos canais Eureca, além de acalentar o seu coração com a nossa newsletter, a The Talk.

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